Para Drummond

Me perdoa poeta

Se não resisto à vista das janelas

E me pego suspirando ao anoitecer,

Se mesmo consciente dos dissabores

Expressos na face dos meus companheiros

Por vezes largo mão da realidade

E me vejo

Vagando dissoluta

por  insensatos continentes!

Fora por mim,

Por minha livre vontade,

fincava como rocha

o pé na realidade

concretude da vida

sinalizava a cadeia…

mas frágil que sou

Basta um florir

um cantar

água de chuva

vem me puxa de mansinho…

Refém do afeto, ao seu sabor

me perco do tempo

futuro e passado se misturam

Em embriagues me disperso

No rapto dos  serafins,

Flutuo errante sob cachoeiras…

Tempo é fusão!

Universo!